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4 de ago. de 2012
7 de mar. de 2012
Por quê, mulher?
POR QUÊ, MULHER?
Por que mulher todo mês sangra, tem peitos que amamentam, e a barriga cheia de crianças?
Mulher tem útero, placenta, entranhas, parto, menopausa e ginecologista.
E o que é pior: tem salto alto.
Meu Deus, por que o salto alto?
Nem todas as mulheres estão reunidas, criando crianças, barrigas e cismas.
Nem todas as mulheres estão cozinhando bem.
Algumas, marginalizadas e poucas, até falam com o garçon.
Não levam pra casa, não engolem mais essa, dirigem carros, pagam contas,
criam casos e asas.
Nem todas as mulheres estão reunidas.
Algumas, espertas e loucas, gozam.
Poucas e loucas, gozam de novo, e é tão bom.
Faz bem à pele, aos cabelos, à cuca e ao coração.
Amam de graça, seja ele pobre ou doidão. Racham contas, ficam tontas de paixão.
Essa goza. A outra, não. A outra quer mesa posta, a pensão,
a mesada, o motorista, o pai e o patrão.
E um homem, não querem não?
Tem gente que vai morrer de raiva e indignação. Pode continuar lendo.
Prometo
não tocar em masturbação.
Foi pensando nele, por incrível que pareça.
Naqueles olhos apertados, naquelas pernocas, naquele pescoção.
Ó Deus, eu vos peço perdão? Nããão, foi tão bom...
Mas eu prometi que não ia falar sobre isso.
Mulher tira filho e tira de letra? Não,
mulher instruída vai na farmácia e compra pílulas.
A mulher está grávida. O filho não deve vir. O filho não deve ser.
O pai não sabe, se sabe. A mulher tem que agir:
trepar realmente engravida. Não é lenda. É inacreditável.
Lindo às vezes. Doloroso, às vezes. Arranca pedaços e a vida
continua. Continua?
Homem tem barba, pode ficar brocha ou careca, dá pensão alimentícia.
E sempre perde os filhos.
Está vendo aquele homem?
Faz mal para as mulheres: não telefona, mente, engana.
E ainda paquera sua melhor amiga.
Tem sempre o pau duro.
E o coração idem.
Abaixo o machismo!
Mas viva o Macho, pelo amor de Deus!
UM FEMINISMO ÀS AVESSAS
Você é um homem e não aguenta mais depender de mulher. Você gostaria de remendar suas próprias meias, criar seus próprios filhos, dialogar com eles sem intermediária, sem a mãezona-relações-públicas que tece em volta de vocês as teias de sua própria dependência. Você gostaria de falar a mesma língua da empregada e explicar a ela como seria a casa do seu jeito, você não suporta mais procurar a camisa branca, a calça marrom que estava outro dia no armário e simplesmente desapareceu ante dos seus olhos.
Mulheres de todo o mundo, achem minha camisa branca, transformem essa pilha de copos sujos de água e facas sujas de manteiga numa cozinha limpa e cheirosa onde a panela fumega apetitosa e promete alimento.
Você é um homem mas gostaria de trabalhar menos, um trabalho que não te exigisse tanto, que te deixasse um tempo livre pra ver de perto a verdadeira vida que se desenrola nos teus filhos enquanto você trabalha para o crescimento de uma empresa, chega!
Um feminismo às avessas toma conta do seu ser porque você trabalha demais e não tem vontade de voltar pra casa à noite porque a casa não é sua, é dela. É ela que sabe onde estão as coisas, como estão os filhos. É na conta bancária dela que você depositará todo mês a sua incompetente pensão de alimentos. Tudo que o mundo depositou nas suas mãos de repente ficou resumido nessa palavra triste: pagar. Você só sabe trabalhar e pagar, está revoltado com isso, com o apartamento silencioso que te espera depois da separação, com os olhos cheios dágua pela ausência das crianças, com o sanduíche comido às pressas em pé no bar da esquina, porque a mesa posta, o ressonar pacífico das crianças, tudo que preenche a solidão de uma vida entre quatro paredes acompanha a mulher, sempre acompanha a mulher, merda, você está tão desamparado e ninguém fala de você, sequer você mesmo fala de você.
(Sangria.1987)
6 de mar. de 2012
Rua Hermenegildo de Barros, 69
Prêmio! Quem disser em qual destas casas eu morei (na Glória, nº69) ganha um exemplar do livro SEXO URBANO inteiramente grátis. Quem nem sabia que eu morei tão alto, pode comprar pelo site http://www.gloriahorta.net/ ou fazer o download...rs..
Do lado esquerdo, junto ao muro, uma ESCADA! A rua é uma LADEIRA! E eu era NOVA! Que saldades, como escrevia no torpedo meu namorado na época. Saldades dos degrais, como ele dizia, e dele, que falava errado mas fazia tudo certo!
Do lado esquerdo, junto ao muro, uma ESCADA! A rua é uma LADEIRA! E eu era NOVA! Que saldades, como escrevia no torpedo meu namorado na época. Saldades dos degrais, como ele dizia, e dele, que falava errado mas fazia tudo certo!
Cigarro ou xixi na rua?
Nó na linha da Vida. Cliquei no meu nascimento e apareceu OUTRA PESSOA!
Segundo o Facebook, tenho cento e nove anos! Não sei por que, mas estou me sentindo conservadíssima. Deve ser o excesso de sol. Sou do tempo que sol não fazia mal e fumar era chique. Fumar na praia debaixo do sol ardente é mais pior que xixi na rua.
De tanto ver comercial na minha TV, uma neta minha queria fazer xixi durante a viagem Buzios-Rio, eu disse que ia parar o carro numa lanchonete e ela gritou: Não! Quero fazer xixi na RUA!
8 de fev. de 2012
7 de fev. de 2012
A poesia dos outros: QUERIA DESCANSAR VIVA - GLÓRIA HORTA
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Glória Horta
3 de dez. de 2011
Dança dos sete veus
DANÇA DOS SETE VÉUS
Leila, eis que saio sábado à tarde para ler na grama do parque, com um livrinho de Schopenhauer debaixo do braço (A arte de escrever) e deparo-me com uma placa pequena indicando um curso de yoga. Entrei. Peguei todos os prospectos: de dança de salão, afro, cigana, indiana e flamenca, pilates, RPG, alguma coisa me salvaria. Já ia saindo agradecida quando adentra o recinto uma moça ruiva e alta, de saia rodada e longos cachos de cabelos. É a professora de dança dos sete véus. Um workshop começa em quinze minutos. Pronto. Estou inscrita, louca pra rebolar a tarde inteira. Surpresa! Fiquei de duas da tarde às sete e meia da noite sentada ouvindo uma palestra sobre como excitar e imobilizar o parceiro, que perfume usar e onde, vendo imagens de pênis eretos e desenhos do órgão genital feminino entre tantas senhoras, mocinhas e meninas, todas interessadíssimas. Não vou dizer que não gostei. Me deliciei. Aprendi coisas. Aprendi, dançando, a enrolar-me em sete véus, deixando só os olhinhos de fora. Provavelmente um dia vou aprender a me desenrolar.
Este é o passo-a-passo:Primeiro passo: Você desabotoa a camisa dele com uma mão só, apertando as casinhas dos botões na horizontal
Continua: Dança dos sete veus
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